Meu único pedido aos professores: não ignorem os corpos!

Sim eu confesso. Perante essa sociedade por vezes tão pragmática, as vezes até fico me questionando sobre a possibilidade de uma aula de arte (como deveria ser) estar nas nossas escolas. Mas ainda assim eu peço, NÃO IGNOREM OS CORPOS que os rodeiam. Sim, não são alunos… pelo menos não naquele sentido unilateral (professor-aluno), onde os docentes transmitem o conhecimento. São CORPOS num sentido complexo e relacional, distante da dualidade ultrapassada (corpo-mente). Corpos que são e estão alí, de um modo ou de outro, uns mais disponíveis, outros menos, mas esperando pelo que está por vir…

Às vezes esquecemos que há poucos anos, éramos nós nas classes. Eu, particularmente, não “permitia” a audácia de alguém me dizer o que eu tinha que saber se não me fosse claro a razão. Obviamente cada qual tem seu modo de expressão (pois somos corpos relacionais mas muito particulares), uns dormem (Ok! Tem também aqueles que foram para a festa e não estão nem aí, por causa da estafa… mas isso não pode acontecer todos os dias!), outros gritam, debocham… enfim… mas o fato é que, se o fazem, há uma razão! Ou várias! Aliás, normalmente várias!

Na maioria das aulas (principalmente nas que hoje ensino dar aula) saio com uma ingrata sensação: a de que podia já ter feito algo diferente. Mas Morin vive nos alertando sobre os obstáculos da complexidade… então, se o meu ideal auto-eco-organizador deve ter tais obstáculos, devo estar bem perto do ideal! Sempre penso em outro modo (mesmo antes de acabar o que estou fazendo), outra possibilidade e, embora eu já tenha acostumado às incertezas, nunca me esqueço do conforto das certezas! E depois eu lembro da revolta das certezas alheias instauradas (à força) em mim… e assim fico: buscando o conforto no que deve ser desconfortável.

Bom, embora possa parecer meio esquizofrênico essa auto-avaliação que nunca chega onde realmente não deve chegar, o tal conforto. Eu acabo sempre concluindo que assim ainda é mais “bem encaminhado”. E daí vem meu pedido: não ignorem os corpos dos alunos! E não estou pedindo isso para professores de dança, até mesmo porque se esses esquecerem disso, aí está tudo muito perdido mesmo. Estou praticamente implorando, para aquele professor de português, matemática ou outro conteúdo tão importante (!!!) olhe para seu aluno como um próximo, e antes de oferecer à cabeça dele o que pensa ser necessário, permita que o corpo dele se reconheça como necessário! Pois não é possível a cabeça e o corpo funcionáriem separadamente (lembram da não dualidade mente-corpo do início do post?)! Ache o seu caminho de buscar esse acordo entre como o conteúdo pode apreender o corpo (e vice-versa, por favor! Realmente unilateralidades não me agradam!). Seja com um espreguiçamento, um abraço, um olhar, um toque, um grito, uma dança, um deslocamento ou qualquer outro modo de ser, mas verdadeiramente olhe os corpos que estão ali, confiando à ti, alguns de seus minutos. Pois se de fato conseguires essa afetividade corporal à tua aula, certamente muito mais (do que desejas) será de lá levado!

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